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Após ressaca, 'nova praia' do Leblon é engolida pelo mar, mas deve voltar

Luis Alfredo Farache, Luis Alfredo Farache Benacerraf
Após ressaca, 'nova praia' do Leblon é engolida pelo mar, mas deve voltar

RIO — Após fazer a alegria de banhistas, curiosos e atletas de slackline na última sexta-feira, quando a temperatura ultrapassou os 37 graus no Rio, a “nova praia” que apareceu no Leblon , na Zona Sul, voltou a se esconder sob as ondas. Mas pode ser por pouco tempo.

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Fenômeno raro, a faixa de areia, na altura do mirante, apareceu na semana passada alterando um cenário onde antes havia apenas rochas e mar. Com a frente fria do último fim de semana e o aumento no nível das ondas, a praia desapareceu e só deixou para trás a faixa de slackline amarrada nas pedras e esquecida por praticantes da modalidade

Meteorologista do instituto Climatempo, João Basso defende que o movimento de aparecimento da faixa de areia faz parte de uma confluência de fatores, e após a diminuição do nível das ondas, a praia pode voltar a aparecer

— É uma coisa cíclica. Antes da passagem da frente da fria deste fim de semana a altura das ondas estava mais baixa, e a faixa de areia apareceu. Com a chegada da frente fria, a altura das ondas subiu, e a praia desapareceu. Mas ela pode voltar a aparecer. Nos próximos dias isso vai melhorando, a altura das ondas vai diminuindo e só vai voltar a aumentar no próximo fim de semana por conta da aproximação de uma nova frente fria costeira na noite do próximo domingo — explica

Para o professor do curso de oceanografia da Universidade do Estado do Rio (Uerj), David Zee, a praia deve reaparecer

Acredito que, mesmo com a ressaca, aquelas faixas de areia se mantenham. Talvez após o nível do mar diminuir, elas reapareçam um pouco mais para o lado do Leblon, mas ainda por lá. Outra possibilidade é com o passar do tempo, do fim do inverno e a chegada da primavera e o verão, talvez a areia seja retirada pelas ondas pouco a pouco — explica.  Nova praia no Leblon Depois da forte ressaca, surge uma pequena praia abaixo do Mirante do Leblon Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo Os praticantes de slackline descobriram o local e estão aproveitando para praticar o esporte Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo O lugar, ainda não descoberto pela maioria dos banhistas, é tranquilo Foto: Domingos Peixoto / Domingos Peixoto Quem já conhece aproveita o calor do inverno carioca na praia deserta Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo Até uma piscina surgiu entre as pedras Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo Pular PUBLICIDADE A última ressaca que atingiu o litoral do Rio deixou de presente uma nova praia. Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo Para chegar na praia é preciso passar pelas pedras que a cercam na subida da Niemeyer Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo O fenômeno é raro e, de acordo com o oceanógrafo David Zee, é devido à mudança de entrada das frentes frias Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo Zee fala que além de alterar a intensidade das ressacas, o vento está entrando em sul e sudeste, e não mais em sudoeste Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo Zee alerta que com as próximas ressacas que estão por vir, pode acontecer do mar chegar à Avenida Atlântica Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo Pular PUBLICIDADE Antes da ressaca, o mar batia direto nas rochas Foto: Brenno Carvalho em 23/05/2019 / Agência O Globo Não tinha praia, somente pedras Foto: Brenno Carvalho em 23/05/2019 / Agência O Globo

PUBLICIDADE Para Zee, que na época do aparecimento das faixas de areia defendeu que a alteração da paisagem local é um alerta das mudanças climáticas, a “nova praia” ainda está debilitada por conta das frentes frias e que tudo deve voltar à normalidade no verão, quando as frentes frias são mais espaçadas

— A grande lição é que a mudança climática é uma realidade. A direção de entrada da onda começou a mudar. Praias que antes estavam protegidas começaram a estar expostas. Por isso há lugares em que a praia some e outros em que a praia aparece. As autoridades competentes e os centros de pesquisas precisam dar as mãos e desenvolver medidas preventivas, para que não perdemos equipamentos urbanos, como a Ciclovia Tim Maia, que se rompeu três vezes. Tudo isso é um alerta — defende o estudioso.