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Coreia do Sul rompe acordo de troca de inteligência militar com o Japão

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Coreia do Sul rompe acordo de troca de inteligência militar com o Japão

SEUL — A Coreia do Sul anunciou nesta quinta-feira que romperá um acordo de troca de inteligência militar com o Japão , conhecido como Acordo para a Segurança Geral de Informação Militar (GSOMIA, na sigla em inglês), em uma escalada das tensões diplomáticas e comerciais entre os dois países, que passam pelo pior momento de suas relações bilaterais desde os anos 1960. O acordo de compartilhamento de inteligência foi assinado em novembro de 2016, em resposta aos testes nucleares da Coreia do Norte.

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Seul decidiu colocar um ponto final no acordo — afirmou Kim You-geun, diretor do Escritório de Segurança Nacional, organismo vinculado à Presidência sul-coreana. — Avisaremos o governo japonês por meio de um telegrama diplomático

As tensões entre dois dos principais aliados americanos na Ásia — os EUA mantêm bases e milhares de soldados no Japão e na Coreia do Sul — começou no final do ano passado, quando a Suprema Corte sul-coreana ordenou que as empresas japonesas Mitsubishi e Nippon Steel & Sumitomo Metal pagassem indenização pelo uso de mão de obra escrava durante a ocupação japonesa da  Península Coreana  na  Segunda Guerra Mundial

No início de agosto, o Japão retirou a Coreia do Sul de uma lista de parceiros comerciais preferenciais, atrasando a entrega de materiais químicos essenciais para a indústria de alta tecnologia sul-coreana

O Japão alega que as mazelas de seu passado colonial foram resolvidas com a assinatura em 1965 do tratado que normalizou as relações bilaterais. Tóquio citou ainda, ao justificar a represália comercial, ter preocupações com sua segurança nacional a partir da “administração inadequada” por Seul das exportações de produtos químicos sensíveis, incluindo o fluoreto de hidrogênio, que poderia ser usado para a fabricação de armas químicas por países sujeitos a sanções internacionais, como a Coreia do Norte, com a qual a Coreia do Sul voltou a se engajar ativamente nos últimos anos

PUBLICIDADE Ao anunciar o rompimento do GSOMIA, no entanto, o diretor do Escritório de Segurança Nacional sul-coreano afirmou que a retirada do país da lista de parceiros comerciais preferenciais foi”sem justificativa”, e que a alegação japonesa de perda de confiança em Seul representa “uma mudança significativa” na cooperação entre os dois países na área de defesa

— Em uma situação como esta, decidimos que não é do interesse nacional manter o acordo assinado para trocar informações sensíveis em nível militar — disse  Kim You-geun

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Esta semana, os ministros das Relações Exteriores dos dois países se reuniram fora de Pequim e prometeram continuar conversando, mas não conseguiram chegar a um consenso

Pouco antes do anúncio, o chefe do gabinete japonês, Yoshihide Suga, dissera que o acordo reforçava a cooperação de segurança entre os dois países

Embora os laços entre o Japão e a Coreia do Sul estejam em uma situação muito difícil, acreditamos que devemos cooperar onde é necessária — disse Suga em entrevista coletiva na quinta-feira

Uma fonte militar ocidental afirmou à agência Reuters que o compartilhamento de informações às vezes é limitado, mas, mesmo assim, é uma importante área de cooperação diante das ameaças da Coreia do Norte. O país lançou recentemente uma série de mísseis balísticos de curto alcance, em protesto contra o que considera um aumento das atividades militares na Coreia do Sul e no Japão

PUBLICIDADE “A troca de inteligência é a chave para o desenvolvimento de uma política e estratégia de defesa comum, e os três países estão mais seguros quando trabalham juntos”, disse o tenente-coronel Dave Eastburn, porta-voz do Pentágono, em nota. “Encorajamos o Japão e a Coreia a trabalharem juntos para resolver suas diferenças rapidamente.”