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EUA abrem caminho a operação militar turca contra forças curdas no nordeste da Síria

Os EUA não vão intervir numa operação militar turca contra forças curdas no nordeste da Síria, que estará iminente. A informação foi avançada pela Casa Branca após uma conversa telefónica este domingo entre os Presidentes norte-americano, Donald Trump, e turco, Recep Tayyip Erdogan.

O anúncio de não envolvimento está a ser descrito pelos analistas como uma mudança repentina da política dos EUA, traduzindo-se, na prática, no abandono dos aliados curdos na região.

“A Turquia avançará em breve com a sua operação há muito planeada no norte da Síria”, revela um comunicado da Casa Branca. “As Forças Armadas dos Estados Unidos não apoiarão nem estarão envolvidas na operação, e as forças norte-americanas, tendo derrotado o ‘califado’ territorial do Daesh, deixarão de estar na área circundante”, acrescenta a nota.

Erdogan frustrado com falta de progresso na “zona segura” A declaração também revela que a Turquia assumirá toda a responsabilidade pelos combatentes do autoproclamado Estado Islâmico capturados nos últimos dois anos. “O Governo dos EUA pressionou França, Alemanha e outros países europeus, de onde vieram muitos combatentes do Daesh capturados, para os aceitarem de volta mas eles recusaram-nos. Os Estados Unidos não vão detê-los no que representaria muitos anos e grande custo para o contribuinte americano”, sublinha.

O comunicado da Casa Branca surge um dia depois de Erdogan ter anunciado que a incursão turca aconteceria em breve.

Durante a conversa telefónica com Trump, o Presidente turco mostrou-se frustrado com a falta de progresso na criação de uma “zona segura” no nordeste da Síria, ao longo da fronteira com a Turquia, com que os aliados da NATO concordaram em agosto.

Turquia quer deslocar dois milhões de refugiados sírios Ancara quer que aquela zona esteja livre de combatentes das Unidades de Proteção Popular (YPG), uma organização armada curda que a Turquia considera uma organização terrorista. Estas unidades eram uma parte importante das Forças Democráticas Sírias, as forças apoiadas pelos EUA que derrotaram o Daesh na Síria.

A Turquia considera as YPG uma extensão do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que luta pela autonomia curda na Turquia há mais de três décadas. As YPG negam qualquer vínculo organizacional direto àquele partido. No passado, Ancara já condenou Washington por apoiar as YPG.

Albergando 3,6 milhões de sírios que fugiram da guerra civil no seu país, a Turquia pretende igualmente transferir dois milhões desses refugiados do seu território para a “zona segura”.