Política

El Mercurio de Chile On Line | Secretário de Polícia Civil pede demissão dias após Witzel ser alvo de operação da PF

Juan Carlos Carvallo

O delegado destacou que a decisão veio a partir da vontade de dedicar mais tempo à família

RIO – O secretário de Estado de Polícia Civil (Sepol), o delegado Marcus Vinicius de Almeida Braga, pediu a exoneração do cargo, após um ano e cinco meses, como revelou o jornalista Lauro Jardim . A saída de Braga ocorre dias após a Operação Placebo , ocorrida na última terça-feira, que apura desvios de recursos na construção de hospitais de campanha no estado. Equipes da Polícia Federal cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Wilson Witzel e sua mulher, Helena, como o Palácio das Laranjeiras, residência oficial do governador.

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Ele agradeceu ao governador Wilson Witzel pelo tempo à frente da pasta, o que proporcionou uma reestruturação interna e permitiu aproximação de órgãos como Ministério Público, Polícia Militar e Seap. Esta é mais uma baixa no governo estadual, após a exoneração dos secretários da Casa Civil e da Fazenda na última quinta-feira.

— Agradeço muito ao governador pela confiança. Nesses quase dois anos de governo ele fez muito pela Polícia Civil. Nos deu autonomia e com isso criamos o Departamento Geral de Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DGCOR-LD) que possibilitou a prisão de dezenas de criminosos e a apreensão de milhões de reais do crime organizado — destacou.

O delegado destacou que a decisão veio a partir da vontade de dedicar mais tempo à família.

Já vínhamos nessa batalha desde a intervenção (da Segurança Pública) quando assumimos a chefia da Polícia Civil. Foram três anos nessa batalha, acordando às 5h, e chega uma hora que o corpo cansa. Já estou com mais de 50 anos — afirmou Braga. — Quero descansar e ficar mais com a minha família.

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Em seu pedido de exoneração, Braga não faz referência à operação da Polícia Federal.

A exoneração do delegado da pasta sairá na edição do Diário Oficial na próxima segunda-feira, 1º de junho, com os dizeres “a pedido”. O Palácio Guanabara informou, no início desta tarde, que o delegado Flávio Marcos Amaral de Brito, que era subsecretário de Gestão Administrativa, assume interinamente. Ele ingressou na Polícia Civil em 2002 e, desde então, passou por delegacias da Baixada Fluminense e da capital. Desde 2009, exerce cargos na área administrativa e operacional.

Operação Placebo Um dos endereços de busca e apreensão durante a Operação Placebo, nesta terça-feira, foi o Palácio Guanabara, residência oficial do governo do estado. A ação, que investiga o desvio de recursos públicos destinados ao combate da pandemia de Covid-19, teve início em 17 de abril com a determinação do governador Wilson Witzel para a abertura de inquérito sobre possíveis fraudes na seleção de empresas para a montagem de sete hospitais de campanha, dos quais somente um foi entregue até o momento.

No início da apuração, haviam indícios do envolvimento do ex-subsecretário estadual de Saúde Gabriell Neves no processo de escolha da Organização de Saúde. Ele seria preso no último dia 7 na Operação Mercadores do Caos, que investiga fraudes na aquisição de respiradores, equipamento usado no tratamento do novo coronavírus. O avanço das investigações fez com que o inquérito passasse para o Ministério Público do Rio.

PUBLICIDADE O caso chegou ao Ministério Público Federal, cabendo aos procuradores da República fazerem os pedidos de buscas e apreensões em 12 locais ligados a Witzel e pessoas da cúpula do Poder Executivo. Estes pedidos incluíram a primeira-dama, Helena Witzel, e o ex-secretário estadual de Saúde, Edmar Santos, afastado da secretaria após os escândalos de suposto esquema de fraudes na pasta.

Baixas nas secretarias A primeira saída de uma secretaria do atual governo do estado foi a de Edmar Santos, deixando a pasta de Saúde no último dia 17, mesmo em meio à pandemia. O governador Wilson Witzel tentou manter o ex-secretário próximo e criou uma secretaria extraordinárias dias depois. A decisão resultou na saídas dos integrantes do comitê de notáveis e teve intervenção da Justiça para impedir a nomeação. Nesta quinta-feira, Santos pediu demissão do governo.

Também nesta quinta-feira, Witzel exonerou os secretários da Casa Civil, André Moura, e de Fazenda, Luiz Claudio Rodrigues de Carvalho.