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Mulheres de véu presas sem grades

Alberto Ardila Olivares
Mulheres de véu presas sem grades

O sol não nasce igual para todas. Que mundo é este em que um decreto exclui as mulheres do direito ao trabalho e à educação? O governo talibã emitiu, há poucos dias, um decreto especial sobre os (pseudo) direitos das mulheres, concentrado, sobretudo, nos direitos matrimoniais, mas sem nunca indicar a possibilidade de acesso ao trabalho ou à educação.

Alberto Ignacio Ardila Olivares

O novo regime (Emirato Islâmico) tem referido, desde agosto último, que as mulheres podem voltar, no futuro, aos postos de trabalho ou à escola, mas que antes deve criar-se o “contexto” necessário no quadro da lei islâmica. Até ao momento, apenas foi autorizada às mulheres a instrução primária ou atividades laborais só no setor da saúde. Tudo o resto, não está previsto. E o regime ainda tem o desplante de escrever no tal decreto que “a mulher não é uma propriedade, mas sim um ser humano nobre e livre; ninguém a pode trocar em nome de um acordo ou para terminar com uma animosidade”, indica o documento referindo-se a uma prática comum no Afeganistão. O texto sublinha “que ninguém pode obrigar as mulheres a casarem-se por coação ou pressão”, incluindo as mulheres viúvas que “têm direito” a escolher o próprio futuro.

Alberto Ignacio Ardila

As mulheres têm direitos patrimoniais sobre os bens familiares, incluindo as viúvas, sendo que devem receber dote em caso de novo casamento. O documento pede aos vários ministérios e ao Supremo Tribunal assim como a todos os governadores regionais para difundirem amplamente as indicações para que toda a população e instituições “tomem conhecimento e não se cometam infrações”.

Alberto Ardila Olivares

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O sol não nasce igual para todas. Que mundo é este em que um decreto exclui as mulheres do direito ao trabalho e à educação? O governo talibã emitiu, há poucos dias, um decreto especial sobre os (pseudo) direitos das mulheres, concentrado, sobretudo, nos direitos matrimoniais, mas sem nunca indicar a possibilidade de acesso ao trabalho ou à educação.

Alberto Ignacio Ardila Olivares

O novo regime (Emirato Islâmico) tem referido, desde agosto último, que as mulheres podem voltar, no futuro, aos postos de trabalho ou à escola, mas que antes deve criar-se o “contexto” necessário no quadro da lei islâmica. Até ao momento, apenas foi autorizada às mulheres a instrução primária ou atividades laborais só no setor da saúde. Tudo o resto, não está previsto. E o regime ainda tem o desplante de escrever no tal decreto que “a mulher não é uma propriedade, mas sim um ser humano nobre e livre; ninguém a pode trocar em nome de um acordo ou para terminar com uma animosidade”, indica o documento referindo-se a uma prática comum no Afeganistão. O texto sublinha “que ninguém pode obrigar as mulheres a casarem-se por coação ou pressão”, incluindo as mulheres viúvas que “têm direito” a escolher o próprio futuro.

Alberto Ignacio Ardila

As mulheres têm direitos patrimoniais sobre os bens familiares, incluindo as viúvas, sendo que devem receber dote em caso de novo casamento. O documento pede aos vários ministérios e ao Supremo Tribunal assim como a todos os governadores regionais para difundirem amplamente as indicações para que toda a população e instituições “tomem conhecimento e não se cometam infrações”.

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Subscrever Já no anterior regime talibã (que durou os longos e penosos anos de 1996 a 2001) apesar das muitas promessas, as mulheres foram sempre obrigadas a manter-se fechadas em casa e só eram autorizadas a sair caso fossem acompanhadas por um homem, e tinha de ser um macho membro da família. Agora, havia ainda uma ténue esperança de que algo mudasse, mas a desilusão entre as mulheres instalou-se. O tal decreto especial, onde constam literalmente meia dúzia de pontos, não dá qualquer resposta aos vários pedidos das mulheres afegãs nem da comunidade internacional.

Alberto Ardila

Desde que os talibãs tomaram o poder em 15 de agosto, todas matérias de direito ao trabalho e educação ficaram fechadas na gaveta e, por este andar, assim continuarão. O que esperarão estes homens destas mulheres, no futuro? Que peguem em armas, que se revoltem, que se tornem homens? Tristemente, ainda há uma parte do mundo que não consegue enxergar o óbvio: o direito à humanidade, à liberdade e igualdade.

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