Entretenimiento

Saiba quais são os desafios dos países que prometeram mandar armamento para a Ucrânia

O ministro das Relações Exteriores húngaro anunciou: “Não mandaremos tropas, não mandaremos armamentos porque não queremos nos envolver nessa guerra. E não deixaremos que remessas de armas letais transitem pelo território húngaro”

Vídeos no g1

Como você avalia a experiência de assistir este vídeo no g1 ?

Muito ruim

Muito boa

Como podemos melhorar?

Seguinte Queremos saber sua opinião

Resposta enviada. Agradecemos sua participação

Saiba quais são os desafios dos países que prometeram mandar armamento para a Ucrânia A lista de países que prometem mais remessas de armas à Ucrânia tem integrantes da Otan. O problema é como entregar as remessas. O presidente russo Vladimir Putin ameaça consequências jamais vistas para quem interferir em suas intenções militares. Por Jornal Nacional

01/03/2022 23h27 Atualizado 01/03/2022

1 de 2 Saiba quais são os desafios dos países que prometeram mandar armamento para a Ucrânia — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução Saiba quais são os desafios dos países que prometeram mandar armamento para a Ucrânia — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Pelo menos 16 países já se comprometeram a enviar auxílio militar para a Ucrânia enfrentar a invasão russa. O desafio é fazer as armas e os equipamentos chegarem aos soldados ucranianos.

Antes da invasão, o aeroporto de Kiev recebia remessas de armamento americano. No sábado (26), os Estados Unidos se comprometeram com mais US$ 350 milhões em material de defesa. Na lista, mísseis portáteis Javelin, capazes de parar um tanque.

Entenda por que americanos não estão em alerta com a ameaça nuclear de Vladimir Putin

No domingo (27), a Alemanha também rompeu a tradição que mantinha desde o fim da Segunda Grande Guerra de não enviar armamentos. Prometeu mil armas antitanques e 500 mísseis Stinger, que são usados em terra para defesa contra ataques aéreos.

A lista de países que prometem mais remessas de armas tem integrantes da Aliança Militar do Ocidente, a Otan – como Estados Unidos , Alemanha, Reino Unido, Itália, Canadá, Bélgica, Espanha, Portugal, França, Grécia, Holanda, Romênia, República Tcheca, Dinamarca e Noruega.

A Suécia, que não faz parte da Otan, também quebrou a tradição de neutralidade e se comprometeu em enviar 5 mil armas antitanques.

A União Europeia também quebrou a tradição e vai reembolsar estados membros que comprarem armamentos para a Ucrânia . O representante da União Europeia para Assuntos Internacionais disse no domingo (27): “O tabu de que a União Europeia não fornece armas para guerra caiu”.

O problema é como entregar as remessas. O presidente Vladimir Putin ameaça consequências jamais vistas para quem interferir em suas intenções militares.

A opção mais rápida seria pelo ar. A União Europeia anunciou no domingo que doaria aviões para o Exército ucraniano. Pilotos ucranianos foram para a Polônia para voar de volta nessas aeronaves – que também poderiam levar munição. Mas nesta terça (1º), Bulgária e Eslováquia, que forneceriam os jatos, disseram que não há nenhum acordo. E o presidente polonês, Andrzej Duda, disse que nenhum avião sairia do país em direção a Ucrânia no momento.

A Otan segue firme no compromisso de não entrar no espaço aéreo ucraniano. O que está sendo feito agora é transporte por terra. Entregando nas fronteiras armamentos diretamente para o Exército ucraniano para que eles distribuam entre suas tropas.

Mas isso preocupa os vizinhos. A Hungria anunciou na segunda (28) que não permitirá que remessas de armas passem pelo seu território.

O ministro das Relações Exteriores húngaro anunciou: “Não mandaremos tropas, não mandaremos armamentos porque não queremos nos envolver nessa guerra. E não deixaremos que remessas de armas letais transitem pelo território húngaro”.

A preocupação é que essas remessas virem alvo de ação militar hostil, disse ele. A Hungria é membro da Otan desde 1999. Mas o atual governo de Viktor Orban é visto como o maior aliado do Kremlin na Europa e sofre pressão da Otan para se posicionar contra a guerra.

2 de 2 A principal fronteira usada agora para essas remessas é a da Polônia — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução A principal fronteira usada agora para essas remessas é a da Polônia — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

A principal fronteira usada agora para essas remessas é a da Polônia . O país faz parte da Otan e nesse momento recebe milhares de refugiados.

A ministra das Relações Exteriores canadense, Melanie Joly, foi para Varsóvia coordenar a entrega do armamento fornecido pelo Canadá. Ela afirmou ter conseguido um acordo para que isso fosse feito usando a fronteira da Polônia .

Mas servir de passagem para armas nesse momento é arriscado, de acordo com Michael Petersen, ex funcionário do Conselho de Segurança Nacional americano e especialista em estratégia militar.

Ele diz que a Rússia pode tentar interceptar as remessas com ataques na fronteira. Mas que essas operações são delicadas porque há um alto risco de agressão também ao lado polonês. E isso significaria um ataque a um país da Otan.

Quando as armas entram na Ucrânia , existe o risco de elas serem interceptadas ou caírem nas mãos dos soldados russos. E acabarem usadas contra o Exército ucraniano, diz o professor.

A situação na Ucrânia se complicaria mais com a eventual queda do governo do presidente Volodymir Zelensky.

Num cenário em que a resistência ucraniana não teria controle central, mas estaria a cargo de milícias e grupos civis.

A Otan se relaciona apenas com governos. O professor Petersen diz que que há um tremendo risco de que Zelesnky seja capturado. No entanto, é possível estabelecer acordos prévios com a União Europeia de procedimentos em caso de ausência do chefe de estado.

Outro desafio seria se Zelesnky deixasse o país. Não há registro na história recente de relacionamento da Otan com governos em exílio reconhecidos internacionalmente. Por isso, quando os Estados Unidos ofereceram para tirar Zelesnky da Ucrânia ele disse: “Não preciso de uma carona, preciso de armas”.

O mundo respondeu. E agora uma operação complexa tem que fazer chegar as armas até ele.