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“Lingrinhas” e “a render pouco”. O Benfica europeu visto por José Augusto e por Simões

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"Lingrinhas" e "a render pouco". O Benfica europeu visto por José Augusto e por Simões

O Benfica somou nesta quarta-feira em São Petersburgo, diante do Zenit, a segunda derrota em outros tantos jogos nesta edição da Liga dos Campeões e a 11.ª nos últimos 14 encontros realizados na prova milionária (apenas nove golos marcados e 30 sofridos), números preocupantes para quem procura reafirmar-se como um grande na Europa, como tantas vezes tem referido o presidente Luís Filipe Vieira – “sonho europeu? Não morreu, vamos lá chegar. Ninguém pode dizer quando”, referiu recentemente numa entrevista à SIC.

José Augusto e António Simões, lendas vivas do clube da Luz e antigos campeões europeus pelo Benfica na década de 1960, apontam vários motivos para que os bons resultados no campeonato nacional nos últimos anos não estejam a ter continuidade na prova internacional. Aliás, o clube nas duas últimas épocas não passou da fase de grupos da Champions.

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O antigo extremo direito, atualmente com 82 anos, diz que falta músculo e maturidade aos encarnados. “O trabalho que tem vindo a ser feito no Seixal tem sido muito interessante, porque tem dado jovens à equipa sénior, uns com mais destaque e que singram mais rapidamente e outros que têm mais dificuldade, e penso que essa imaturidade é uma das razões. Sinto que os jogadores têm qualidade mas, perante equipas possantes fisicamente, os nossos são mais lingrinhas e têm dificuldade em impor-se . O futebol hoje é isso mesmo. E depois surgiram lesões de certa forma incompreensíveis para a idade que estes jogadores têm. É preciso que se continue a trabalhar mas com observações do que é necessário fazer. É necessário trabalhar não só a parte técnica mas também a parte física”, referiu José Augusto ao DN, ele que, como jogador do Benfica, conquistou a Taça dos Campeões europeus em 1960-61 e 1961-62

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Subscrever José Augusto e António Simões analisam crise do Benfica europeu

Já António Simões, antigo extremo esquerdo de 75 anos, diz que “é difícil encontrar explicação quando não se está lá dentro”. Mas sente que “há jogadores que não estão a render”. “Quem está dentro do clube seguramente terá dados para fazer uma análise mais séria. O que eu vejo é jogadores a render muito pouco, tendo em conta o que estavam a render há poucos meses, também no campeonato. A sensação que dá é que há um contágio de cansaço que alastra a toda a equipa. Vejo jogadores a tomarem más decisões e a fazerem maus passes em situações não muito complicadas e há meses isso não acontecia. Começa um, passam a ser dois e depois seis. Há um contágio. Isso traz desapontamento, desilusão, falta de confiança e nervos. Não sei como explicar, os jogadores são os mesmos. A única diferença que noto, e para pior, foi entre quem saiu e quem entrou. Quem saiu era bem melhor do que quem entrou” , referiu o campeão europeu de 1961-62, em alusão às saídas e entradas na janela de verão do mercado de transferências

“Nosso nível competitivo não é suficiente” Simões também aponta a diferença de competitividade entre o campeonato português e as equipas que estão na Champions, apesar de a derrota desta quarta-feira ter sido diante de um oponente russo, o Zenit. “Também me parece que há uma grande diferença entre o nível competitivo português e o de outros países. Exportamos jogadores, há futebolistas portugueses por todo o lado, mas a maioria deles está em ligas inferiores à portuguesa. Se calhar o nosso nível competitivo não é suficiente quando chegamos à I Divisão da Europa“, vincou o ex-jogador, que representou o Benfica em mais de 400 encontros

Tomás Tavares voltou a ser titular num jogo da Liga dos Campeões

© EPA/Anatoly Maltsev

Ainda assim, a glória benfiquista acredita que o Benfica de há uns meses teria sido, no mínimo, mais competitivo nos desafios diante de RB Leipzig e Zenit. “Há uns meses, o Benfica jogava muito melhor. Não sei se teria ganho estes dois jogos, mas estou seguro de que jogaria melhor. Não me digam que o Benfica que andou em digressão nos Estados Unidos e que começou o campeonato não era melhor do que este. Os jogadores tinham outro rendimento que não têm agora e isso fazia que a equipa jogasse melhor. Isso é indiscutível. Não acho que este Benfica corresponda ao valor que os jogadores têm, o que quer dizer que seria mais competitivo perante estes dois adversários, que me pareciam estar ao alcance. O Benfica não apanhou aquela meia dúzia de clubes de onde vai sair o campeão europeu, mas apanhou equipas com qualidade, mas com uma qualidade que não é superior à do Benfica. O clube não apresentou a sua qualidade perante esses dois adversários. O Leipzig e o Zenit mostraram a qualidade que têm, o Benfica não conseguiu . Se o tivesse feito, teria sido mais competitivo”, frisou Simões, que vê com bons olhos a paragem no campeonato que se vai estender até ao final do mês: “Se calhar vai ser um tempo para jogar menos, ensinar mais e menos trabalho e mais reflexão e menos trabalho físico e mais psicológico.”

“Peço para que não se vão abaixo, para devolvermos o contentamento a toda a massa associativa. Temos de ajudar a equipa”, acrescenta José Augusto, que sublinha o trabalho “fantástico” feito por Luís Filipe Vieira no Seixal. “O Benfica é hoje o que não era no meu tempo, com todas as condições para que os futebolistas possam chegar ao futebol sénior e entrar rapidamente na equipa. O Seixal é uma coisa que a maior parte das equipas europeias não tem” , frisa o antigo extremo direito, que não considera o Benfica inferior a RB Leipzig e Zenit

Bruno Lage continua sem triunfar na Champions

© Reuters/Anton Vaganov

“O melhor jogador é sempre aquele que não joga” Acerca das escolhas de Bruno Lage para os dois primeiros jogos da Liga dos Campeões, as glórias benfiquistas respeitam-nas. “Dá a sensação de que ele passa o dia todo a pensar no que terá de fazer para melhorar esses aspetos. É uma pessoa com formação, com conhecimentos, e tem de se rodear de pessoas que lhe possam transmitir determinadas coisas”, elogiou José Augusto

“Aprendi durante a minha vida desportiva que o melhor jogador é sempre aquele que não joga. Agora fala-se de jogadores que não estiveram, mas se tivéssemos ganho ninguém se lembrava deles. É preciso ser mais coerente com as razões que se procuram para explicar a derrota”, atirou Simões