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El Mercurio de Chile On Line | Sob questionamento ambiental, ANP deve leiloar hoje 92 blocos de exploração de petróleo. Entenda os riscos a reservas

Paraísos sob risco Áreas próximas aos arquipélagos que formam o Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha e a Reserva Biológica do Atol das Rocas, no Nordeste, foram as que mais chamaram a atenção de ambientalistas. São 14 blocos no meio do Oceano Atlântico

BRASÍLIA — Mesmo após questionamentos na Justiça por possíveis ameaças ambientais , a Agência Nacional de Petróleo (ANP) manteve marcado para esta quinta-feira um leilão de 92 blocos de exploração de petróleo e gás em quatro bacias no litoral do país.

A 17ª Rodada de Licitações da ANP marca a retomada dos leilões de petróleo no país. O último foi o chamado megaleilão , em 2019, que teve um resultado frustrante para o governo.

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Apesar da expectativa das tentativas de barrar o certame na Justiça até o último minuto, as entidades envolvidas nas ações já preparam uma nova estratégia caso o leilão de hoje se realize: pretendem exercer forte pressão sobre os vencedores de blocos considerados sensíveis para impedir atividades que possam ameaçar santuários ecológicos.

Paraísos sob risco Áreas próximas aos arquipélagos que formam o Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha e a Reserva Biológica do Atol das Rocas, no Nordeste, foram as que mais chamaram a atenção de ambientalistas. São 14 blocos no meio do Oceano Atlântico.

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Há também blocos na Bacia de Pelotas, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, com risco de dano ambiental, segundo ativistas, porque tem áreas relevantes de corais.

O leilão é contestado em tribunais de Pernambuco, Distrito Federal, Santa Catarina e no Supremo Tribunal Federal (STF). Na noite de quarta-feira, o governo de Pernambuco, em cujo litoral está Fernando de Noronha, se somou a uma ação do partido Rede Sustentabilidade no STF para pedir a suspensão do leilão.

Queimadas e desmatamento na Amazônia motivam protestos pelo mundo Ativista segura placa com a frase "Não à queima da Amazônia" durante protesto contra as queimadas na Amazônia em frente ao consulado brasileiro em Cali, Colômbia. Foto: Luis Robayo / AFP Ativistas da Rebelião da Extinção protestam em Amsterdã pedindo proteção para a floresta amazônica. desmatamento e do fogo. Números oficiais mais recentes mostram que mais de 76 mil incêndios florestais foram registrados no Brasil até o momento Foto: RomyFernandez / AFP Manifestante caracterizada como indigena no protesto em Amsterdã, Holanda Foto: ROMY FERNANDEZ / AFP Manifestação do grupo Rebelião da Extinção em frente à embaixada brasileira em Londres contra o desmatamento e queimadas na floresta amazônica Foto: ISABEL INFANTES / AFP Manifestante segura cartaz que diz "pare de negar que nosso planeta está morrendo" durante manifestação no centro de Londres Foto: ISABEL INFANTES / AFP Pular PUBLICIDADE Manifestante com cartaz que diz "Bolsonaro, temos carne!" participa de manifestação em frente à embaixada brasileira em Londres. Esta é a segunda vez que a embaixada em Londres é alvo de protesto de ativistas Foto: ISABEL INFANTES / AFP Na Índia também há registros de protestos. Em frente ao Consulado-Geral do Brasil em Mumbai, manifestantes protestam pela preservação da floresta amazônica e contra o desmatamento e incêndios Foto: INDRANIL MUKHERJEE / AFP Protesto em frente ao Consulado-Geral do Brasil em Mumbai, Índia, pela preservação da Amazônia Foto: INDRANIL MUKHERJEE / AFP Em frente à embaixada do Brasil em Paris, França, ativistas com os corpos pintados de vermelho, simbolizando sangue, protestam contra o dematamento e as queimadas na floresta amazônica Foto: ZAKARIA ABDELKAFI / AFP Manifestantes erquem cartazes com os dizeres "Ore pela Amazônia" e "É uma parte de cada um de nós que queima" durante protesto em Paris, na França, em frente à embaixada brasileira Foto: CHARLES PLATIAU / REUTERS Pular PUBLICIDADE Protesto em Biarritz, França, onde acontece o encontro do G7, contra o desmatamento e incêndios na floresta amazônica. O G7 reúne os sete países com a economia mais avançadas do mundo, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) Foto: BERTRAND GUAY / AFP Em frente ao Consulado Geral do Brasil em Nova York, EUA, ativista levanta uma placa para protestar contra o governo do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, pelos incêndios na floresta amazônica Foto: ANGELA WEISS / AFP Manifestantes em Berlim, na Alemanha, exibem cartazes durante uma manifestação contra o desmatamento na Amazônia e as políticas ambientais do governo Bolsonaro. Incêndios na Amazônia constituem uma "situação urgente" que deve ser discutida durante a cúpula do G7 este final de semana, disse a porta-voz da chanceler Angela Merkel Foto: ODD ANDERSEN / AFP Em Berlim, na Alemanha, manifestante se caracterizou de indígena e levou cartaz de S.O.S, símbolo internacional de socorro, pedindo pela proteção da Amazônia Foto: ODD ANDERSEN / AFP Ativistas climáticos em manifestação em Barcelona contra incêndios na Amazônia Foto: LLUIS GENE / AFP Pular PUBLICIDADE Ativistas exibem cartaz com a inscrição "Pare o genocídio dos povos indígenas" durante uma manifestação em Barcelona Foto: LLUIS GENE / AFP Ativistas participam de um protesto do lado de fora da embaixada do Brasil em Nicósia, Chipre Foto: YIANNIS KOURTOGLOU / REUTERS Manifestantes na Piazza Castello, em Turim, na Itália, participam de protesto organizado pelos ativistas das mudanças climáticas "Sextas-feiras para o futuro" sobre os incêndios na floresta amazônica Foto: MARCO BERTORELLO / AFP Manifestantes na Piazza Castello, em Turim, na Itália, Foto: MARCO BERTORELLO / AFP A blogueira cubana Yadira Escobar, que reside em Miami, na Flória, se junta a ativistas como que protestam pela proteção da floresta amazônica em frente ao consulado brasileiro em Coral Gables Foto: JOE RAEDLE / AFP Descarbonize-se: Saiba qual é sua pegada de carbono e como você pode reduzir as suas emissões de CO2

O principal argumento contra a licitação é o de que um acidente na exploração de petróleo ali poderia causar danos graves ao patrimônio natural dessas áreas.

De acordo com a ANP, estão habilitadas para participar do leilão, além da Petrobras, as petroleiras Chevron, Shell, Total, Ecopetrol, Murphy Karoon, Wintershall e 3R Petroleum.

PUBLICIDADE As bacias em jogo ocupam uma região de quase 54 mil quilômetros quadrados nos litorais de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte.

O governo tem alta expectativa em relação ao certame. O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, fez até reuniões com petroleiras nos EUA para atrair participantes.

ICMBio: inclusão de blocos no leilão é ‘temerária’ Os blocos próximos à “Cadeia de Fernando de Noronha“, uma sequência de montes submarinos que se conectam ao litoral, são os que chamam mais a atenção. Segundo o próprio ICMBio, órgão vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, a inclusão dos blocos no leilão para exploração petrolífera é “temerária”.

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O Instituto Internacional Arayara é um dos órgãos que está pedindo a suspensão do leilão na Justiça pela falta das Avaliações Ambientais de Áreas Sedimentares (AAAS).

Mas o leilão foi viabilizado com uma manifestação conjunta do Ministério do Meio Ambiente e do Ministério de Minas e Energia, em um documento considerado menos exigente.