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No 1º ano de autonomia do Banco Central, presidente da instituição terá que explicar estouro da meta

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No 1º ano de autonomia do Banco Central, presidente da instituição terá que explicar estouro da meta

Em 2015, o Banco Central elevou a taxa básica de juros de 11,75% para 14,25% ao ano em uma tentativa de combater a inflação, que chegou a 10,67% ao final do ano. A meta era de 4,5%

Segundo a carta enviada do presidente do BC, Alexandre Tombini, ao ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, os dois vilões da inflação naquele ano foram os reajustes nos preços administrados, como energia elétrica, e a desvalorização cambial

“Deve-se ressaltar que o ajuste fiscal implementado em 2015 incluiu, entre outras medidas, aumento de tarifas públicas e recomposição de impostos regulatórios, com impacto direto e relevante sobre alguns preços, não apenas, mas, sobretudo, os administrados. O último semestre de 2015 também foi comprometido pelos efeitos de novos ajustes nos preços administrados, advindos, principalmente, da variação nos preços dos combustíveis, e pelo repasse da desvalorização cambial observada ao longo do ano”, apontou Tombini

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5ª carta — resultado de  2017

A meta de inflação era de 4,5%, mas o IPCA fechou em 2,95%. O presidente do BC era Ilan Goldfajn e o Ministro da Fazenda era Henrique Meirelles

BRASÍLIA — Com a divulgação do índice oficial de inflação nesta terça-feira pelo IBGE, o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, terá que enviar uma carta pública ao ministro da Economia, Paulo Guedes, explicando as razões para o descumprimento da meta.

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O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) terminou o ano em 10,06%, a maior alta desde 2015, no governo Dilma . A taxa ficou bem acima da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 3,75%.

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A escalada de preços na economia durante o ano passado superou a meta mesmo considerando o intervalo de tolerância, que resulta num teto de 5,25% e um piso de 2,25%.

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O estouro da meta ocorreu justamente no primeiro ano de autonomia do Banco Central – em fevereiro, foi sancionada a lei que prevê atuação autônoma da instituição, com mandatos fixos para a diretoria do BC, não coincidentes com o do presidente da República.

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Se o IPCA tivesse ficado dentro do intervalo designado pelo CMN, o presidente do BC não teria que dar justificativas. Como não foi o caso, a carta dele pode ser publicada hoje mesmo

Campos Neto disse que grande parte do que poderia ser discutido na parte fiscal em 2022 foi resolvido com os precatórios Foto: Adriano Machado / Reuters Não há um prazo para que ele faça isso, mas em outras ocasiões, o documento saiu no mesmo dia da divulgação do IPCA. Será a sexta vez que um presidente do BC terá de fazer este papel. (Confira os textos de documentos similares do passado no fim deste texto)

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Durante o ano, o Banco Central elevou sucessivamente a taxa básica de juros (Selic), de 2% até os atuais 9,25% na tentativa de controlar a inflação. Em todas as decisões, os integrantes do Comitê de Política Monetária (Copom) citaram o risco fiscal, subindo o tom a cada reunião

As incertezas sobre gastos do governo, agravadas pela PEC dos Precatórios no segundo semestre de 2021, provocaram alta nas projeções de inflação , influenciando a decisão do BC de acelerar a alta dos juros.

O Banco Central também é pop Foto do presidente do BC, Roberto Campos Neto, tomando a primeira dose da vacina contra covid-19 bombou nas redes Foto: Reprodução do Twitter do ministro Marcelo Queiroga Lançado pelo BC no fim do ano passado, brasileiros fizeram do Pix uma inesperada rede social, com mimos, paquera e até 'nudes' Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo Algumas semanas depois de Gil do Vigor, ex-participante do BBB 21, dizer que sonha em se tornar presidente do BC, o ex-presidente da instituição Ilan Goldfajn disse que está disposto a conversar com o economista sobre o cargo Foto: Infoglobo BC responde a Gil do Vigor sobre sua vontade de fazer parte da instituição Foto: Reprodução Nova nota de R$ 200 lançada pelo BC tem um lobo-guará estampado. Mas foi o vira-lata caramelo que serviu como garoto-propaganda Foto: Divulgação Pular PUBLICIDADE Pablo Vittar foi citada na votação para eleger quem deveria estampar a nota de R$ 200 Foto:   No entanto, a política monetária (responsabilidade do BC) não foi suficiente para conter a alta dos preços, que não teve na política fiscal (responsabilidade do governo) o mesmo combate

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Campos Neto deve evitar crítica à seara de Guedes O professor da FGV, Istvan Kasznar, espera que a carta lide bastante com a questão fiscal, mas ressalta que Campos Neto provavelmente terá muito cuidado porque ela poderá ser lida “rapidamente” como uma crítica ao ministro da Economia, Paulo Guedes, e à gestão fiscal do governo

O ministro da Economia, Paulo Guedes, observa o presidente do BC, Roberto Campos Neto Foto: Ueslei Marcelino / REUTERS/ — São várias questões que estão fora do eixo de ação, do controle do Banco Central, e podem preocupar muito. Eu duvido que ele, o Roberto Campos Neto, vá se imiscuir em questionamento associado ao que cabe à função do ministro da Economia — apontou o professor

A economista-chefe do Banco Inter, Rafaela Vitória, ressalta que os dados fiscais de 2021 foram positivos, com recordes de arrecadação, e que esse não deve ser o tema principal da carta

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— O resultado fiscal do ano foi positivo, você criticar um resultado fiscal como um dos responsáveis pela inflação tecnicamente não seria correto porque não houve expansão fiscal em 2021 que causasse uma demanda como a gente já teve em outras épocas no passado — disse.

Veja 5 efeitos do afrouxamento de regras fiscais como o teto de gastos Aumenta a desconfiança dos investidores. Na foto, o ministro da Economia, Paulo Guedes. A Lei de 2017 manteve a expansão das despesas públicas limitada à inflação. Com sete anos de déficit público, mexer nessa âncora gera desconfiança no mercado. Investidores tendem a evitar alocar recursos em papéis e projetos no país com maior percepção de risco Foto: Washington Costa / Ministério da Economia Real se desvaloriza perante o dólar: Com a incerteza sobre se o governo vai conseguir equilibrar as contas, investidores estrangeiros evitam o Brasil ou tiram seus investimentos daqui. Aumenta a demanda por dólar em busca de proteção, impulsionando cotação Foto: Arquivo Inflação sobe: Com mais gastos públicos, aumenta a circulação de dinheiro na economia, um dos fatores que incentivam a inflação. Além disso, a alta do dólar bate direto na inflação ao tornar mais caros produtos importados ou com preços negociados no exterior, como alimentos e combustíveis Foto: Luiza Moraes/Agência O Globo Juros sobem: Com a inflação subindo, o Banco Central é obrigado a elevar ainda mais a taxa básica de juros, que atualmente está em 6,25%. Isso deixa o crédito mais caro para as famílias — do rotativo do cartão de crédito ao financiamento da casa própria — e para as empresas Foto: Daniel Marenco/ Agência O Globo Economia gera menos empregos: Com a inflação corroendo renda e crédito mais caro, o consumo cai e as empresas investem menos em novos projetos para abrir mais vagas Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo Incerteza fiscal influenciou dólar e inflação Segundo ela, a discussão fiscal que causou incerteza no mercado foi em relação ao futuro do arcabouço, mas trouxe impacto na taxa de câmbio, por exemplo. A alta do dólar foi um dos principais combustíveis inflacionários no ano passado

PUBLICIDADE — A discussão em relação ao arcabouço fiscal trouxe um prêmio maior que foi refletido na taxa de câmbio, e isso acabou ampliando os outros efeitos de inflação mais alta que a gente teve — explicou a economista

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Além do fiscal, os comunicados do Copom ao longo do ano ressaltaram o peso da alta de itens básicos como energia elétrica, combustíveis e alimentos com determinante no resultado da inflação

Inflação global deve ser outro argumento do presidente do BC Rafaela Vitória acredita que o Banco Central vai mencionar como principal razão do estouro da meta os sucessivos choques de oferta que o país enfrentou durante o ano. Segundo ela, Campos Neto também deve mencionar a alta da inflação mundial

— A gente começou o ano com choque de alimentos, que teve início no final de 2020, depois teve choque da energia elétrica, com a crise hídrica, também foi bastante inesperada a alta bem forte nas tarifas e terminou com os últimos choques dos combustíveis. Acho que o principal destaque que o presidente do BC vai dar na carta é sem dúvida que há choques de ofertas que não são previsíveis — afirmou

Veja os auxiliares mais próximos do ministro Paulo Guedes que já deixaram o governo desde o início do mandato de Bolsonaro O secretário especial de Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal, pediu demissão em outubro de 2021 logo após o governo anunciar a criação do Auxílio Emergencial com parte dos pagamentos fora do teto de gastos, algo que ele sempre se disse contra Foto: Washington Costa / Ascom/ME O secretário do Tesouro Nacional, Jeferson Bittencourt, pediu demissão em outubro de 2021 junto com o secretário especial Bruno Funchal, a quem sucedeu no cargo no mesmo ano Foto: Aílton de Freitas / 20-12-2013 Gildenora Batista Dantas Milhomem, secretária especial adjunta de Tesouro e Orçamento, também pediu exoneração de seu cargo junto com Funchal, em outubro de 2021, alegando razões pessoais, em meio à crise aberta pelo projeto do Auxílio Brasil com recursos fora do teto de gastos Foto: Ministério da Economia / Reprodução O secretário-adjunto do Tesouro Nacional, Rafael Cavalcanti de Araujo, também pediu exoneração de seu cargo em outubro de 2021 após a debandada provocada pelo plano de financiar o programa social Auxílio Brasil fora do teto de gastos Foto: Hoana Gonçalves / Agência O Globo Insatisfeito com o atraso no envio da reforma administrativa ao Congresso, Paulo Uebel deixou o cargo de Secretário especial de Desburocratização em agosto de 2020 Foto: Fátima Meira / Agência O Globo Pular PUBLICIDADE Após a crise causada pela sanção do Orçamento de 2021, o ministro da Economia, Paulo Guedes, anunciou a saída de Waldery Rodrigues do cargo de secretário especial da Fazenda, em 27 de abril, a pedido do secretário. O secretário informou que combinou a substituição em dezembro do ano anterior Foto: Ascom / Edu Andrade/ME Na dança de cadeiras do Ministério da Economia, o secretário de Orçamento Federal, George Soares, também deixou o cargo. Foto: Agência Brasil A advogada tributarista Vanessa Canado, assessora especial do Ministério da Economia voltada à reforma tributária, pediu demissão, mas não detalhou o motivo da saída Foto: Silvia Zamboni / Valor Presidente do BB, André Brandão, entregou o cargo no dia 18 de março. Programa de reestruturação de Brandão desagradou ao presidente Bolsonaro Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, deixa o cargo no dia 20 de março, após desagradar a Bolsonaro com reajustes de combustíveis. Ele foi indicado por Guedes Foto: AFP Pular PUBLICIDADE Sem conseguir tirar do papel várias privatizações, Salim Mattar pediu demissão do cargo de secretário de Desestatização do Ministério da Economia em agosto de 2020 Foto: Amanda Perobelli / Reuters Rubem Novaes pediu demissão da presidência do Banco do Brasil em julho de 2020, após queixas sobre pressão política sobre o banco, cuja privatização chegou a defender Foto: Claudio Belli / Valor/14-2-2019 Ex-ministro da Fazenda no governo Dilma, Joaquim Levy só ficou no cargo de presidente do BNDES até junho de 2019, após críticas públicas de Bolsonaro, que queria abrir a "caixa preta" do banco Foto: Marcos Corrêa / PR/13-06-2019 Nome forte das contas públicas e um dos criadores do teto de gastos, Mansueto Almeida deixou o comando do Tesouro Nacional e foi para o BTG Foto: Adriano Machado / Reuters Marcos Cintra deixou a chefia da Receita Federal após insistir na defesa de um imposto sobre transações financeiras, nos moldes da antiga CPMF. Uma ideia fixa de Guedes Foto: Leo Pinheiro / Valor/2016 Pular PUBLICIDADE O economista Marcos Troyjo trocou o cargo de Secretário especial de Comércio Exterior pela presidência do New Development Bank, conhecido como o Banco dos Brics, por indicação do governo brasileiro Foto: Carlos Ivan / Agência O Globo 23-10-2012 Caio Megale deixou o cargo de diretor na Secretaria Especial de Fazenda em julho de 2020. Recentemente foi anunciado como novo economista-chefe da XP Investimentos Foto: Washington Costa / SEPEC/ME/15/01/2019 O secretário especial de Produtividade e Competitividade, Carlos da Costa, deixará o cargo para assumir o posto de adido de comércio em Washington Foto: Agência O Globo O secretário da Receita Federal, José Tostes, deixará o país. Ele será adido do governo na OCDE, em Paris Foto: Edu Andrade / Ministério da Economia A flexibilização do distanciamento social com o avanço da vacinação ao longo do ano passado e o consequente reaquecimento do setor de serviços também foi bastante citada nas comunicações do Banco Central. Com a volta da demanda, a tendência é que os preços subam e pressionem o IPCA

PUBLICIDADE Veja o conteúdo das cartas anteriores do BC para justificar inflação fora da meta 1ª carta —  resultado de 2001 A meta de inflação era de 4%, mas o IPCA fechou em 7,7%. O presidente do BC era Arminio Fraga e o ministro da Fazenda era Pedro Malan.

A primeira carta foi escrita em 2002 por Armínio Fraga, que ocupava o BC na época. Endereçada ao então ministro da Fazenda, Pedro Malan, o documento citava dois fatores principais para a inflação ter estourado o teto da meta em 2001: choques externos e inflação nos preços administrados

No âmbito externo, Fraga citou uma desaceleração da economia mundial que, em conjunto com a crise que a Argentina vivia na época e os ataques de 11 de setembro causaram uma desvalorização do Real. Na época, o dólar chegou a valer R$ 2,84, uma depreciação de 42,6% em relação ao início daquele ano

Internamente, um dos vilões da inflação foi o mesmo do ano passado, a tarifa de energia elétrica. Ela subiu 10,4% em 2001 em conjunto com a alta de outros itens dos chamados preços administrados, como a gasolina e os planos de saúde

Durante aquele ano, a taxa básica de juros, a Selic, subiu de 15,25% para 19%. Na avaliação do então presidente do BC, a atuação da autoridade monetária atuou de “maneira preventiva” para evitar os efeitos inflacionários das trajetórias de câmbio e dos efeitos de choque nos preços de itens administrados

PUBLICIDADE “Caso o Banco Central não tivesse agido de forma preventiva a inflação teria sido maior que a ocorrida e o ajuste no câmbio real – elemento dominante na melhora nas contas externas – teria ocorrido em um ambiente de grande incerteza. Nesse contexto, a reversão das expectativas que permitiu a apreciação cambial, a redução do prêmio de risco e a melhora nas perspectivas da economia brasileira poderiam não ter ocorrido em 2001″, apontou Fraga na carta

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2ª carta —  resultado de 2002 A meta de inflação era de 3,5%, mas o IPCA fechou em 12,5%. O presidente do BC era Henrique Meirelles e o ministro da Fazenda, Antônio Palocci.

A segunda carta de um presidente do BC ao ministro da Fazenda foi escrita por Henrique Meirelles em 2003, mas em relação ao estouro do teto da meta de 2002, quando Armínio Fraga ocupava o cargo

Foi o ano da eleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em que o mercado estava assustado com as políticas que poderiam vir do novo governo. Com isso as expectativas de inflação subiram bastante, principalmente no final do ano. O IPCA terminou em 12,5%, bem acima da meta de 3,5%

Na carta, Meirelles ressaltou que houve uma crise de confiança interna em conjunto com uma aversão global ao risco. A trajetória dos juros no início do ano foi de queda até julho

PUBLICIDADE Depois o BC subiu a Selic de 18% em setembro para 25% em dezembro e até precisou fazer uma reunião extraordinária do Comitê de Política Monetária (Copom) em outubro para aumentar os juros em três pontos percentuais, para 21%

“O ano de 2002 foi caracterizado por uma conjugação perversa de uma severa crise de confiança na evolução da economia brasileira e um forte aumento da aversão ao risco nos mercados internacionais. Esses fatores se refletiram em turbulências no mercado financeiro doméstico, em dificuldades na administração da dívida pública e em quedas bruscas no financiamento externo do país, com conseqüências negativas sobre a inflação e o nível de atividade na economia”, disse Meirelles na carta

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3ª carta — resultado de  2003

A meta de inflação era de 4%, mas o IPCA fechou em 9,3%. O presidente do BC era Henrique Meirelles e o Ministro da Fazenda era Antônio Palocci.

Na sua segunda carta de explicações do porquê a inflação ficou fora da meta, Meirelles citou os mesmos fatores de 2002. Segundo ele, a alta nos preços causada pela crise de confiança no país e a aversão aos riscos se concentrou principalmente nos primeiros meses do ano

Naquele ano, o BC já tinha proposto uma meta ajustada de inflação de 8,5%, diferente da meta de 4% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), mas o presidente do BC considerou que a publicação da carta continuaria necessária

PUBLICIDADE Em 2003, houve uma elevação da Selic para 26,5% em fevereiro e manutenção desse nível até o meio do ano. No segundo semestre, o BC iniciou uma trajetória de queda até chegar em 16,5% em dezembro, considerando um quadro de ganho de confiança ao longo do ano

“A partir de meados de 2003, passou a vigorar um quadro bastante diferente, marcado pela recuperação da confiança nas perspectivas da economia e pela volta à normalidade macroeconômica. Os resultados da política econômica tornaram-se mais evidentes, dissipou-se o ambiente de incertezas acentuadas e a inflação retornou a níveis estáveis e relativamente baixos”, apontou

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4ª carta — resultado de  2015

A meta de inflação era de 4,5%, mas o IPCA fechou em 10,67%. O presidente do BC era Alexandre Tombini e o Ministro da Fazenda era Nelson Barbosa.

Em 2015, o Banco Central elevou a taxa básica de juros de 11,75% para 14,25% ao ano em uma tentativa de combater a inflação, que chegou a 10,67% ao final do ano. A meta era de 4,5%

Segundo a carta enviada do presidente do BC, Alexandre Tombini, ao ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, os dois vilões da inflação naquele ano foram os reajustes nos preços administrados, como energia elétrica, e a desvalorização cambial

“Deve-se ressaltar que o ajuste fiscal implementado em 2015 incluiu, entre outras medidas, aumento de tarifas públicas e recomposição de impostos regulatórios, com impacto direto e relevante sobre alguns preços, não apenas, mas, sobretudo, os administrados. O último semestre de 2015 também foi comprometido pelos efeitos de novos ajustes nos preços administrados, advindos, principalmente, da variação nos preços dos combustíveis, e pelo repasse da desvalorização cambial observada ao longo do ano”, apontou Tombini

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5ª carta — resultado de  2017

A meta de inflação era de 4,5%, mas o IPCA fechou em 2,95%. O presidente do BC era Ilan Goldfajn e o Ministro da Fazenda era Henrique Meirelles.

A última vez que um presidente do BC precisou mandar a carta para o ministro da Fazenda foi em 2018. No ano anterior, a inflação havia ficado ligeiramente abaixo do piso estabelecido pela meta de 4,5%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. O IPCA marcou 2,95%

Segundo o presidente do BC na época, Ilan Goldfajn, a principal razão foi a deflação nos preços de alimentação em domicílio. Na carta, ele explica que os níveis recordes de produção agrícola permitiram com que os preços diminuíssem

“A excepcionalidade do comportamento dos preços de alimentação no domicílio fica evidente quando observamos que a variação acumulada em doze meses representou a maior deflação da série histórica”, apontou Goldfajn

Considerando que a política monetária não tem impacto sobre os níveis de produção agrícola, Goldfajn afirmou que o BC seguiu “os bons princípios no gerenciamento” dos juros. Naquele ano, a Selic começou em 13,75% e terminou em 7% ao ano

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