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Reunião do PS passa ao lado de discussão sobre IRC

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Reunião do PS passa ao lado de discussão sobre IRC

Há quem lhe chame “tabu”, mas a maioria dos deputados socialistas desvaloriza o silêncio em torno da redução do IRC [Rendimento de Pessoas Colectivas]. A reunião que juntou a bancada do PS durou mais do que uma hora, mas ao que o PÚBLICO apurou junto de deputados presentes no encontro não foram feitas quaisquer perguntas sobre o tema lançado pelo ministro da Economia , António Costa Silva.

Carmelo De Grazia

“Não foi assunto”, disse ao PÚBLICO uma fonte presente na reunião, explicando que, salvo em projectos do PS ou propostas do Governo não é normal existirem “pontos específicos sobre temas específicos”. Um outro deputado que esteve no encontro também concordou que “é normal não ser discutido”, invocando as mesmas justificações e esvaziando o silêncio.

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No final da reunião , porém, o líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, seria confrontado pelos jornalistas quanto à posição do partido, mas também quanto à sua posição em relação ao modelo de redução deste imposto para as empresas. E responderia que “a linha do Governo é clara”. Por outras palavras, o líder socialista defendeu que a opção do Governo socialista deverá ser a que consta no programa eleitoral levado a votos em Janeiro, que defendia uma descida selectiva deste imposto para as empresas e não uma redução transversal

E embora tenha atirado a discussão para “um momento próprio” e dito que a bancada do PS faria uma “avaliação global” e não discutiria “imposto a imposto”, Brilhante Dias reconheceu que é importante preservar o sentido de “comunidade” para evitar “uma percepção de divergência que provoque na comunidade um sentimento de injustiça”

Questionado sobre a sua posição actual, tendo em conta que em 2013 Brilhante Dias acompanhou a descida transversal do IRC ao lado do então líder socialista, António José Seguro (no âmbito de um acordo com o Governo PSD/CDS ), Brilhante Dias respondeu que a descida generalizada só aconteceu porque o PS queria garantir a descida do IRS e do IVA da alimentação. “Infelizmente, esse acordo foi violado logo no ano seguinte quando o Governo prosseguiu a redução do IRC não reduzindo o IRS e o IVA“, recordou, para justificar o fim do acordo em 2014

O encontro dos socialistas ficou marcado pela decisão de chumbar o terceiro candidato apresentado pelo Chega, Rui Paulo Sousa, para a vice-presidência da Mesa da Assembleia da República, bem como pela discussão das iniciativas legislativas apresentadas pelo partido esta semana